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Delegações nacionais nas COPs: quem leva mais gente — e quanto gasta
Cada país banca a própria delegação (passagens, hotel, pavilhão). As delegações explodiram — Emirados levaram 4.409 pessoas à COP28; o Brasil, 3.805 à COP30. Poucos governos abrem os custos: Canadá (CA$2,95mi/COP28) e Austrália (>A$2mi/COP29) são os casos mais itemizados.
Quanto custa uma COP? O que dá — e o que não dá — para saber
Não existe um número único nem comparável de "custo de uma COP": três coisas diferentes recebem esse nome. Reunimos aqui apenas os valores verificáveis (Paris €170 mi, Glasgow ~£100 mi, Belém ~R$4,5 bi…) e marcamos honestamente as lacunas.
COP30 — Belém 2025: a COP da Amazônia (preparo de ~R$ 4,5 bi)
Sediada na Amazônia, a COP30 pivotou o Artigo 6 para a implementação, lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, ~US$ 5,5–6,7 bi) e o "roteiro Baku–Belém" rumo a US$ 1,3 tri — mas falhou num roteiro de saída dos fósseis. O Brasil investiu ~R$ 4,5 bilhões em infraestrutura.
COP29 — Baku 2024: a "COP da finança" e o fechamento do Artigo 6
Baku fixou a nova meta de financiamento climático (US$ 300 bi/ano até 2035, rumo a US$ 1,3 tri) e concluiu as regras do Artigo 6.2 e 6.4, destravando o mercado de carbono da ONU. Estimativas de especialistas apontam despesas indiretas acima de US$ 1 bilhão.
COP28 — Dubai 2023: o Balanço Global e a "transição para fora dos fósseis"
A maior COP da história (≈85 mil participantes) entregou o primeiro Balanço Global, com o chamado inédito para "transitar para longe dos combustíveis fósseis", e operacionalizou o Fundo de Perdas e Danos logo no primeiro dia.
COP27 — Sharm el-Sheikh 2022: o Fundo de Perdas e Danos
A COP africana entregou um marco histórico: a criação de um fundo dedicado a perdas e danos climáticos. O Plano de Implementação de Sharm manteve a meta de 1,5°C, mas avançou pouco na saída dos fósseis.
COP26 — Glasgow 2021: o Artigo 6 destrava (custo ~£100 mi)
Após o adiamento por COVID, Glasgow fechou o livro de regras do Artigo 6, firmou o "phase-down" do carvão e pactos de metano e florestas. O Reino Unido gastou cerca de £100 milhões para sediar (ao menos £87 mi repassados a órgãos públicos).
COP25 — Madri 2019: o impasse do Artigo 6 (custo ~US$ 30 mi)
A COP mais longa da história terminou sem acordo sobre os mercados de carbono (Artigo 6), bloqueado por Brasil e Austrália. Surgiram os Princípios de San José pela integridade. Sediada por Madri em um mês, após a desistência do Chile, a um custo estimado de ~US$ 30 milhões.
COP24 — Katowice 2018: o Livro de Regras de Paris (menos o Artigo 6)
A COP24 adotou o Katowice Rulebook — as diretrizes de implementação do Acordo de Paris (transparência, contabilidade de NDCs, finanças, balanço global). O Artigo 6 (mercados) travou em dupla contagem e ficou para depois.
COP23 — Bonn 2017: presidência de Fiji e o Diálogo de Talanoa
Primeira COP presidida por uma nação insular (Fiji, sediada em Bonn). Lançou o Diálogo de Talanoa e o "Fiji Momentum" para a ambição pré-2020, num encontro sobretudo procedimental rumo ao livro de regras.
COP22 — Marraquexe 2016: a COP da implementação
Primeira COP após a entrada em vigor do Acordo de Paris (nov/2016). A Proclamação de Ação de Marraquexe deu o tom de "fazer acontecer" e abriu o trabalho do livro de regras de Paris, com prazo em 2018.
COP21 — Paris 2015: o Acordo de Paris (orçamento de €170 mi)
O marco da diplomacia climática: um acordo universal por 1,5/2°C baseado em NDCs, com o Artigo 6 abrindo os mercados de carbono. Realizada sob estado de emergência pós-atentados, a conferência foi orçada em €170 milhões.
COP20 — Lima 2014: o Chamado de Lima e a preparação de Paris
O Chamado de Lima para a Ação Climática definiu o processo e os elementos das INDCs e o rascunho do texto de Paris. Foram 19 decisões, incluindo o programa de Lima sobre gênero, com a capitalização inicial do Fundo Verde do Clima em curso.
COP19 — Varsóvia 2013: o Quadro de REDD+, perdas e danos e as INDCs
A COP19 adotou o Quadro de Varsóvia para REDD+ (regras de MRV e finanças baseadas em resultados), criou o Mecanismo Internacional de Varsóvia sobre Perdas e Danos e convidou os países a apresentarem suas INDCs rumo a Paris.
COP18 — Doha 2012: o segundo período de Kyoto
O pacote "Doha Climate Gateway" adotou a Emenda de Doha (2º período de Kyoto, 2013–2020), encerrou as vias de negociação de Bali e avançou a agenda de perdas e danos rumo ao mecanismo de Varsóvia.
COP17 — Durban 2011: o mandato para um acordo universal
A Plataforma de Durban criou o mandato para negociar, até 2015, um acordo aplicável a todos (em vigor em 2020) — o caminho direto para Paris. Também acordou um segundo período de Kyoto e operacionalizou o Fundo Verde do Clima.
COP16 — Cancún 2010: o Fundo Verde do Clima e o arcabouço do REDD+
Depois do trauma de Copenhague, Cancún reconstruiu a confiança: ancorou as metas, criou o Fundo Verde do Clima, estabeleceu o arcabouço do REDD+ com as 7 salvaguardas de Cancún e o Marco de Adaptação de Cancún.
COP15 — Copenhague 2009: a grande frustração (e o número que existe)
A COP mais esperada da década terminou sem tratado vinculante: o Acordo de Copenhague foi apenas "tomado nota". Firmou a referência de 2°C, US$ 30 bi de financiamento rápido (2010–12) e a meta de US$ 100 bi/ano até 2020. A Dinamarca aportou €1,79 mi ao orçamento da conferência.
COP14 — Poznań 2008: o Fundo de Adaptação operacional
No meio do caminho entre Bali e Copenhague, a COP14 tornou o Fundo de Adaptação operacional (com acesso direto dos países), lançou o Programa Estratégico de Poznań sobre transferência de tecnologia e avançou metodologicamente no REDD.
COP13 — Bali 2007: o Mapa do Caminho e o nascimento do REDD+
O Plano de Ação de Bali abriu um processo de negociação em duas vias (AWG-LCA + AWG-KP) rumo a um acordo pós-2012, com cinco pilares, e introduziu formalmente a linguagem de REDD-plus (florestas) — rota que levaria a Copenhague.
COP12 — Nairóbi 2006: adaptação e o Quadro de Nairóbi para o MDL
A COP12 batizou o Programa de Trabalho de Nairóbi sobre adaptação, criou o Quadro de Nairóbi para ampliar o MDL na África, acordou princípios de gestão do Fundo de Adaptação e fez a 1ª emenda ao Protocolo (inclusão da Belarus).
COP11 — Montreal 2005: Kyoto em vigor e o Plano de Ação de Montreal
Primeira reunião das Partes do Protocolo (CMP1) após sua entrada em vigor. Adotou formalmente os Acordos de Marraquexe e lançou o Plano de Ação de Montreal e o grupo de trabalho (AWG-KP) para o segundo período de compromisso.
COP10 — Buenos Aires 2004: adaptação e os 10 anos da Convenção
No 10º aniversário da UNFCCC, a COP10 adotou o Programa de Trabalho de Buenos Aires sobre adaptação e medidas de resposta, e começou a olhar para o regime pós-2012 — às vésperas da entrada em vigor de Kyoto.
COP9 — Milão 2003: florestas entram no MDL
A COP9 aprovou as definições e modalidades para projetos de florestamento e reflorestamento sob o MDL (Art. 12), além de orientar o uso do Fundo de Adaptação para capacitação e transferência de tecnologia.
COP8 — Nova Delhi 2002: a Declaração de Delhi
A Declaração Ministerial de Delhi priorizou desenvolvimento sustentável e adaptação, pediu transferência de tecnologia e reconheceu o crédito de sumidouros (florestas, manejo de solos, florestamento).
COP7 — Marraquexe 2001: as regras de Kyoto e a 1ª taxa internacional
Os Acordos de Marraquexe detalharam o funcionamento do MDL, JI e comércio de emissões e criaram três fundos. O Fundo de Adaptação seria bancado por uma taxa de 2% sobre os créditos do MDL — a primeira taxa internacional sobre transações para financiar clima.
COP6 — Haia 2000: o colapso e a retomada em Bonn (2001)
As negociações da Haia foram suspensas sem acordo, por impasse EUA–UE sobre sumidouros florestais, conformidade e financiamento. Após a saída dos EUA de Kyoto, a retomada em Bonn (julho/2001) produziu os Acordos de Bonn, salvando o protocolo.
COP5 — Bonn 1999: a fase técnica do Plano de Buenos Aires
Com 165 Partes e mais de 3 mil participantes, a COP5 avançou o trabalho técnico do BAPA e adotou 32 decisões e conclusões, sem um marco político de destaque, preparando a decisão das regras para a COP6.
COP4 — Buenos Aires 1998: o Plano de Ação para destravar Kyoto
Com mais de 5 mil participantes, a COP4 não fechou as regras de Kyoto, mas adotou o Plano de Ação de Buenos Aires (prazo de 2 anos). Argentina e Cazaquistão acenaram com metas voluntárias e os EUA assinaram o protocolo.
COP3 — Kyoto 1997: o Protocolo e o nascimento dos mercados de carbono
Mais de 10 mil participantes em Kyoto adotaram o primeiro tratado com metas vinculantes (média de -5,2% vs 1990 para o Anexo I) e criaram os mecanismos flexíveis (MDL, JI e comércio de emissões) — a origem dos créditos de carbono.
COP2 — Genebra 1996: o aval à ciência e às metas vinculantes
A Declaração Ministerial de Genebra endossou o 2º Relatório do IPCC e, com a virada de posição dos EUA, apoiou pela primeira vez metas juridicamente vinculantes — preparando o terreno político para Kyoto.
COP1 — Berlim 1995: o Mandato de Berlim
A 1ª Conferência das Partes (117 países) reconheceu que os compromissos voluntários eram insuficientes e lançou, via Mandato de Berlim, a negociação de metas vinculantes — além de criar a fase-piloto de Atividades Implementadas Conjuntamente, embrião dos mecanismos de mercado.